sexta-feira, 1 de maio de 2009

Sem direito de viver



Volto para reclamar (o que não é novidade). Se fosse para render elogios a esse bairro talvez não tivesse linhas (dubiedade necessária).
O tema deste talvez seja o de muitos outros que ainda virão. É o mesmo dos quais sofri, me indignei, mas não escrevi.
A Terra-Firme (sob meu olhar) é uma terra de boatos (que podem ser fatos). As notícias de jornais chegam sempre ultrapassadas, e quando chegam. Sempre procuro no grito do jornaleiro pela manhã, a violência de ontem a tarde.
Vou lhes contar um fato que aconteceu há alguns meses. Não me recordo à data (a mente esquece o que não queremos lembrar). Depois conto o fato que me trouxe aqui.
Um rapaz da minha rua, de família trabalhadora (o que designa que não são bandidos), cheio de sonhos, queria se jogador de futebol e estudar Educação Física na Universidade. Estava num treino a noite, vinha de bicicleta de carona. Vinham pela temida rua denominada Ligação...
Abro um parêntese para tentar explicar o que não entendo também, mas que ouço falar: Traficantes, gangues, ou bandidos, não sei a denominação, pra mim são invisíveis. Sei que brigam e matam pela dominação de dois pólos desse bairro. Os da ligação matam os da Celso Malcher e vice-versa. Mas matam e ferem inocentes também.
...Vinham de bicicletas, as vozes invisíveis gritaram perguntando se os meninos eram da Ligação, e saíram atirando mesmo sem resposta.
A vítima que eu falara levou um tiro na coluna, ou perto não tenho certeza. O irmão dele conseguiu correr e se salvar, mas se perdeu do que foi baleado, ele achava que o irmão tinha corrido também. Quando chegou em casa, depois de muito correr, soube do ocorrido e foi ao hospital. Lá encontrou o irmão baleado e ALGEMADO, ALGEMADO pelo preconceito, e por algemas (sem metáforas).
O irmão que foi visitar pediu para um policial que tirasse as algemas, disse que o irmão não era bandido, e por isso apanhou, APANHOU!!!! Deixando ali as duas vítimas o policial fugiu. Só foram tiradas as algemas porque um parente deles advogado interviu.
Essa história me dói, principalmente quando o vejo saindo para a fisioterapia, carregado para o taxi. Dói saber que a violência não tem limites. Somos formigas prestes a serem esmagadas.
Vozes que me contaram esse fato, me contaram quando cheguei, que ontem um rapaz que foi visitar o tio e veio de carro pra cá, voltou sem vida. Na saída, na Av. Perimetral, homens invisíveis desse bairro o abordaram. Como ele não parou, atiraram e mataram. Essa história que ainda não saiu no jornal (eu acho), é que me trouxe aqui. A anterior eu sempre quis contar.
Hoje não falo de música, mas falo do mesmo assunto: O desrespeito, dessa vez ao direito de viver.


sábado, 25 de abril de 2009

Respeitar - verbo não conjugado na Terra-Firme

Por que eu escreveria nesse blog em pleno sábado chuvoso de Belém? Só a inquietação daquele sentido que não obedece a nossa vontade, a audição, para fazer-me voltar a este blog depois de tanto tempo.
A muito não escrevo pelos excessivos deveres que tenho desempenhado. Coisa que meus queridos vizinhos também não devem conhecer, ou ao menos onde termina seus direitos e começam os dos outros.
Justificativa do parágrafo acima: vizinhos – porque não sei exatamente de onde vem o barulho que me atormenta, não são os dos lados da minha casa. Generalizo para não ofender quem não merece. Afirmo que eles não têm deveres sociais, numa atitude leviana de um momento de raiva, e porque só desocupados fazem da sua casa uma aparelhagem que toca a qualquer chance, começa no sábado e só termina na madrugada da segunda; ou mesmo em qualquer feriado. Na terceira linha coloco a palavra também, num acordo com meus pensamentos, de que eles (os vizinhos) não conhecem o respeito primeiramente, desconhecem os deveres posteriormente.
Sendo ainda mais clara, confesso a minha natureza inquieta com esse bairro. Sou aqui um peixe fora d’água, e acho que muitos outros são. E como eu, se acovardam diante da possibilidade de se rebelar. Esse é o primeiro motivo por eu estar aqui, e não na frente da casa de meu infeliz vizinho. 
Se é pra ser claro (estabeleci esse acordo), vou ser: Não acho que aqui seja o único lugar em que a lei não se faz, mas é o lugar de onde falo... Na Terra-Firme, não se sabe quem está a seu lado, todo mundo é suspeito. Então... Porque eu, covarde, iria me rebelar? Para não parecer assim tão medrosa, posso me justificar dizendo que me expor pode custar a segurança da minha família. Os mártires venceram seus medos pra lutar por uma causa. Não sou mártir, por isso desabafo num blog.
Reconstituindo o fato: Desde cedo os atores principais desse texto estão com um volume alto do som. Não se importam com a situação das famílias ao redor, a minha por acaso está sentindo a perda de uma querida amiga da família, meus pais tentam descansar e eu tento estudar.
Apesar de minha ira, tento nutrir o sentimento que tenho pela maioria desses moradores. Pessoas íntegras, com histórias de vida difíceis. Penso em formas de ajudá-los. A minha reclamação não tem caráter de denegrir os moradores. E nem precisa, a imagem já é bastante denegrida. Reclamo mesmo é desses "espíritos de porco", às vezes gentilmente chamados por mim, de meus algozes.
Para meu texto não terminar assim como um desabafo sem muita informação acrescento um último parágrafo sobre poluição sonora: A poluição sonora ocorre quando num determinado ambiente o som altera a condição normal de audição. Embora ela não se acumule no meio ambiente, como outros tipos de poluição causam vários danos ao corpo e à qualidade de vida das pessoas.
Não resisti a mais um parágrafo. Vou me comprometer a visitar mais este blog, e a desempenhar a função que lhe cabe, ser escrito pelo prazer de escrever. Espero que ainda com meu tímpano resistente. Bom sábado.
Informação sobre poluição sonora: site www.suapesquisa.com